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quarta-feira, 16 de setembro de 2009

O que é você? e “Você não é tão bom assim”

Vivemos em um “mundo” de diversidade. Vemos Carolas espantarem-se com a espontaneidade do desprezo pelas leis cristãs. Jovens de aspecto repugnante, pessoas pintadas, mulheres de mini-saia, homens que gostam de homens; uma salada mista de diversidades. E nesse meio todo você fica pensando quem é você?

Será que sou produto como qualquer outro desses produzidos em série, ou um modelo ultrapassado com defeito?

Você pode enxergar diversas tribos, e pode tentar se encaixar nelas. Não há nada de errado nisso, a maioria de nós vive fases parecidas sem maiores dificuldades. Universalização é um bom remédio para baixa auto-estima. Mas o que sobra depois? Muitos vivem uma mentira durante muitos anos, meninas que querem permanecer lolitas até os 45, e homens tentando ser jovens quando não o são. Aliás isso é até discutível, mas uma coisa é ter um “espírito Jovem” (como aquele da musiquinha do Chaves) e outra é continuar a ser um total irresponsável ou tentar fugir de quem você realmente é.

Alguns idiotas, na maioria universiotários acreditam que seguindo um comportamento X serão diferentes do resto da população. Eles podem ditar a moda, podem ter a diversidade em seus discursos, mas no final das contas são apenas reprodutores de conteúdos, pois se acreditam detentores pensamento independente, da contra-cultura e da inovação somente por (mesmo que não aceitem) pertencerem a uma tribo, ou a tribo “dos sem tribo”. Alguém poderia argumentar “São uns beatniks de bosta!”.Ok, eu não lhes tiro a razão, mas afinal de contas que impacto eles realmente tem na cultura?

Não sei se por preciosismo, mas a maior pretensão de um homem é se achar profeta de suas próprias idéias, pior ainda, se estas idéias não forem deles. É como se tivéssemos uma praga de “pensadores independentes”, e que eles pudessem montar um Pub onde poderiam discutir eternamente sobre o óbvio.

Grandes Gênios não preparam a carcaça para depois revolucionarem o mundo, qual a utilidade de se gastar horas entediantes no Wikipédia tentando rever algum tipo de literatura para levar a cabo numa discussão que descambe para o intelectualismo. Ou de gastar uma dinheirama em roupas e acessórios que vão lhe fazer parecer o que não é.

Na realidade a maioria das pessoas são muito parecidas, e é extremamente frustrante pensar desta forma, por isso muitas vezes não levamos em consideração. Não estou dizendo que estamos beirando a um apocalipse de idéias, onde todos nos tornaremos robôs ou algo assim. Talvez seja uma lição de humildade para alguns, mas não tente ser algo que não é.

Pensamos diferente, mas pertencemos a mesma raça. Não há nada de errado em ser uma patricinha, um boyzinho, um emo ou um daqueles indies chatos. Aliás, foda-se.

Enfrentar aquelas discussões chatas sobre o que somos e aonde vamos e blá blá blá virou papo para burocratas acadêmicos.

Existe diversidade entre os homens e os governos devem garantir que isso seja respeitado e ponto.

Existem certos padrões de comportamento e dificilmente você fugirá 100% deles, se aceite, você não é um Deus, não é “tão” diferente assim...

Imagine um hospício? Quantos Hitlers e Napoleões já não passaram por lá. Quem nunca se imaginou importante, pode até valer o esforço, mas torna-se entediante com o cotidiano.

Somos formigas e grande coisa não querer ser uma, pois ninguém escapará da pá gigante de Deus*.

*Ok, isso é uma metáfora.

sexta-feira, 17 de julho de 2009

Alguns mitos sobre a universidade...







Desde o primeiro dia em que pomos os pés dentro da Universidade, seja ela pública ou privada, somos perseguidos por promessas e conceitos pouco concretos sobre a real importância da formação acadêmica. Muitos professores seguem o discurso oficial de que o papel da instituição é de agir como um processo de integração com a sociedade e seus “problemas”. Ouvimos que é um espaço de pluralidade, de aprendizado e de Criação, mas será que é mesmo?
A tragédia da universidade não são as greves muitas vezes nonsense, ou de professores incompetentes ou desgraçados que fazem de suas aulas uma extensão de seus projetos pessoais ou da estabilidade que os bastardos gozam. Mas sim da construção de mitos que povoam a mente das pessoas.
Em primeiro lugar, não há Democracia plena na Universidade, se é que podemos afirmar que tal existe. Não estamos tratando do corpo administrativo somente, mas essencialmente das questões operacionais, dos centros acadêmicos, das relações professor e aluno e dos demais funcionários.
Estas relações não são essencialmente meritocráticas por assim dizer. São escolhas políticas, e no que tange a politicagem espere pelo ralo da sociedade. Comecemos pelos Centros Acadêmicos. Quem tem paciência para decisões enfadonhas? Brigar por seus posicionamentos, ideologias, ou opiniões?
A resposta é simples: primeiramente quem gosta de se envolver com política e em segundo lugar quem tem paciência. Junte tudo num bolo e se pergunte, eles representam a maioria?
O momento máximo do que pode se considerar como democracia que os Centros acadêmicos vivenciam é quando há pautas como greves, paralisações ou coisas do gênero. E é ai que vemos que as opiniões destes dificilmente representam a maioria.
Por isso, o discurso de “Democracia no Campus” ,sua “opinião é importante” não existe, é ilógico. Mas a palavra tem uma força de apelo muito grande, sendo assim ninguém pára pra pensar “será que sou realmente representado?”.
“Esteja presente nas reuniões” responderiam eles. Mas como disse não são todos que tem cacoete para esse tipo de política. E seria um absurdo exigir que todos fossem mobilizados. Sem contar que um processo contra-argumentativo é extremamente estressante, principalmente quando se vai contra idéias majoritárias.
A opinião dos Centros acadêmicos não representa fielmente a opinião dos estudantes. Se fosse assim suas decisões seriam percentualmente iguais às decisões destes.
É irrelevante discutir a existência de C.A’s como uma forma de “sindicato” de estudantes, se formos encarar como uma classe dentro da sociedade, não há nada de errado na representação. Mas tal como nos sindicatos, padecemos dos mesmos problemas assim como a preocupante presença de partidos políticos em suas fileiras, mas esta discussão é interminável e a meu ver desnecessária.
Não, novamente não questiono a existência dos organismos de representação de estudantes, afinal de contas alguém tem de nos representar. Nem quero aqui promover um novo modelo de gestão nem nada. Só que Democracia como nos é vendido aquilo não é.
Agora quanto à idéia de se fazer ciência, me parece que aderimos ao discurso oficial: Formação profissional, mercado de trabalho, carreira acadêmica...
É a mesma coisa ouvida nos quatro cantos, mas será que é real?
Grandes empresários bem sucedidos largaram a faculdade, entre estes coloque o Bill Gates que desistiu no meio de seu curso. Por enquanto fiquemos com estes nomes:
Bill Gates, Stanley Kubrick, Woody Allen,Roberto Justus e Henry Ford.
Acho que basta por aqui...
A universidade não deve ser encarada como um instrumento para se consertar a sociedade, para resolver seus “problemas”. Esta visão utilitarista parece uma desculpa esfarrapada para se retirar da Instituição seu próprio conflito existencial.
As pesquisas, as publicações, as invenções são parte do processo, afinal de contas nada disso seria possível se os “que não freqüentaram curso superior” não existissem. Estou tratando do cidadão que trabalha numa obra, no cara que recolhe o lixo e até o sujeito que faz a segurança do Campus. Será que eles são inferiores aos que cursaram curso superior ?
A universidade não é detentora da solução dos problemas da sociedade, temos de parar de colocar no pedestal a formação antes do fator humano. Não são todos que querem, ou tem capacidade de obter um diploma. E qual é o problema disso? De que adianta fabricar diplomas, se não há profissionais capacitados. 
Em suma, a universidade não é para todos, como prega o discurso oficial, ela é para quem tem capacidade. E eu não estou tratando de inclusão social, acredito que todos devem ter acesso à universidade, assim como a um ensino de qualidade ¹. Mas ao contrário do que surgiu com esta nova engenharia social, as pessoas não são iguais, e a santificação do diploma como necessidade social é sem sentido e até certo ponto preconceituosa.
A estrutura do desenvolvimento científico também é caótica. Se você é um estudante de sociais vai entender bem o que estou querendo dizer. É fato, grande parte dos Tcc’s, monografias, teses de livre-docência e todo o resto da salada é permeado por um copia e cola gigantesco. Para defender suas idéias, você precisa de alguém que as tenha desenvolvido em certo grau, e precisa da orientação seja de seu orientador, seja de autor x ou y. Se surgir com uma idéia nova, por exemplo, vai sofrer como sofreu Einstein ao romper com a física tradicional. A necessidade da comprovação da novidade pelo antigo é válida, mas não somente se pode guiar por velharias. Teorias vão e vem, até pouco tempo atrás teimamos que o mundo era quadrado e o sol girava em torna da terra.
Sendo assim, ao ler muito das produções acadêmicas encontramos copia e cola em todos os lugares. E quanto às idéias próprias?
Basta observar a quantidade de doutores que pensam exatamente a mesma coisa que pensam seus orientadores. O que pode parecer lógico, pois orientador nenhum vai querer um trabalho produzido fora de seus “padrões”. Resultado: Uma pilha de trabalhos idênticos, soluções que não dão certo e perpetuação de mitos.
Faça um exercício, tente você encontrar diferenças significativas no que pensa um Emir Sader de um Reinaldo Gonçalves, ou um Armen de um Milton Santos. Difícil, ainda mais quando estes autores reinam quase absolutos em suas áreas. Um aluno que destoe do pensamento de Milton Santos, dificilmente conseguirá numa universidade cercada por seus seguidores formular questões que destoem de seus mestres. Não questiono a autoridade, e não estou considerando o que está “certo” ou o que está “errado”. Só digo que não há verdadeira “pluralidade” na academia, quando todos são quase obrigados a beber da mesma fonte.
Seja um cordeirinho de Jesus e será feliz, seja uma ovelha negra e será considerado um inapto. Na melhor das análises, estudantes são um produto.
Bruno Frank quer que o academês e o discurso vazio se explodam e está sem paciência para a vida universitária.

1.    Eu duvido muito disso que isso funcione 100% mas tudo bem...

quarta-feira, 20 de maio de 2009

Mudança de opinião.....






Se o mundo muda cada vez mais rápido, mais rápido surgem os problemas e mais dinâmicas tornam-se as respostas. Se surge uma nova doença, e os antigos métodos não surtem mais efeito, correm os especialistas atrás de soluções, se a economia engata nós, é missão dos especialistas desatarem.
É reservado o direito nas democracias modernas de livre associação e de livre expressão, e mesmo que sempre questionados os meios ou o quanto e até onde vai essa mesma “liberdade”, é ponto pacifico que diferentes opiniões convergem nesse ambiente, e como observadas na história da humanidade, ambas aspiram pelo poder.
E não pode ser diferente nas ciências, como Karl Popper diz, não há enunciados absolutos. Se há 500 anos a igreja possuía dogmas inquestionáveis para seus fiéis.O que pode impedir um padre hoje de renegar sua fé? E que mal teria se isso fosse realidade, há inúmeros casos de tal forma que tanto nas universidades como na imprensa dentro das cabidas proporções,pode ser encarada como uma atitude normal ou de certa forma moderna.
Então o que impede um cientista de negar sua própria teoria?
É engraçado como nossos intelectuais vêem esse processo, quando um dos seus muda de posição, seja ela política ou cientifica, correm os seguidores de sua linha a criticá-lo, como se a ciência fosse um circulo fechado, onde se buscam as respostas dentro de caixas empoeiradas.
Vejamos o caso da Geografia, uma ciência que vive de grandes nomes, mas quando Demetrio Magnoli, um antigo marxista passa a admitir certas reformas e abdica de seus ideais, ele é visto como um “entreguista”, um traidor.O mesmo poderíamos dizer de Fernando Henrique Cardoso.O que fez o mundo o que é hoje, não foi um conjunto de idéias fechadas, e sim da inovação e do bom senso em romper com as antigas idéias, ou revigorá-las a partir de um ponto que sejam, ou aplicáveis, ou pareçam mais sólidas.
Se não fosse por isso, ainda estaríamos achando que a matéria é feita de terra, água e fogo (isso se chegasse a esse ponto).
Esse preconceito com a mudança advém da vaidade humana, da teimosia e que acaba para muitos, significando que a mudança de opinião é resultado da fraqueza de argumentos. Um exemplo simples, é que quando cometemos erros, não admitimos com medo da opinião “alheia”, e se alguém há de admitir.Ou esse alguém é calado, ou cabeças rolam.Errar é humano, mudar de opinião também, mas pelo que nos pareceu nesses mais de três mil anos de humanidade, a vaidade é o pior dos pecados.E ela se torna bem aparente ao se tratar de questões humanas.
Diz-se que o maior problema de matemáticos, físicos e engenheiros é simplificar demais, o de muitos sociólogos, filósofos e porque não geógrafos parecem ser o culto a complexidade e o excesso de vaidade.
Essa complexidade, muitas vezes aparente, encorpa toda a refutação de uma teoria. No corpo de humanidades, muitas idealizações foram construídas com base em teorias que possuíam erros, ou eram passíveis de refutação, mas como não o eram feitas, dada a dificuldade em considerar criticas, essas novas teorias padeciam de falhas estruturais iguais, ou parecidas com as que as deram origem ou servira de base.
É como uma grande torre com andares que faltam.
A mudança é necessária para a inovação e isso as humanidades acabam incorporando com menor velocidade , se um computador é reinventado a cada ano, porque não facilitar a incorporação de novas idéias a antigas?

Bruno Frank já mudou de opinião várias vezes, mesmo indo contra o seu orgulho, agora ele tenta tornar a sensatez uma virtude. Não demonstra liderança e nem fala sempre com certeza absoluta, porque aprendeu observando em seus professores que argumentos cuspidos, ou palavras gritadas com convicção não servem de comprovação de verdades, e tenta sempre que possível questioná-los, não na frente dos mesmos, mas internamente. Os resultados tem sido interessantes, e isso é o que mais lhe desestimula a gostar da carreira acadêmica. Pelo que vê muitos de seus professores são experts em construir castelos de cartas, mas no fundo ele acredita que são essas coisas que tornam o mundo menos monótono.

quinta-feira, 30 de abril de 2009

Obamania e crise mundial






Desde que assumiu a presidência a mais de três meses, Barack Hussein Obama angariou algo em torno de 60% de aprovação do público norte-americano. Pode ser uma onda de misticismo, ou de idolatria, mas pelo que nos parece aqui nos trópicos ele e sua equipe vem fazendo um bom trabalho. Entenda por “bom” não algo excepcional, mas sim o que tem de ser feito.
Ao contrário de muitos intelectuais idiotas e fatalistas, eu acredito na recuperação econômica norte-americana, e ao contrário do que dizem não é a derrocada do modelo neoliberal, e sim um período de maior regulação da economia. O problema não foi gerado pelos especuladores de Wall Street como dizem muitos. Foi o FED que lastrou dinheiro e baixou os juros de forma irresponsável, causando uma bolha imobiliária que virou uma bola de neve e impulsionou a crise.
Mas vejo que o povo norte-americano vê em Obama uma espécie de Messias, é claro que é um feito ser o primeiro presidente negro da história dos Estados Unidos, mas ele não é o super homem e mesmo se fosse não conseguiria com seus poderes conter sozinho a dívida cabulosamente cheia de zeros. Por não ser um semideus na terra, ele conta com o apoio de uma cultura competitiva e do respaldo de grande parte do congresso. E embora desconsiderado esse é o melhor caminho para se conter a crise atual.E ele tem sido o baluarte dessa política, um símbolo de superação.
Advém daí dois problemas básicos. Primeiro, a crise é no sistema financeiro, e o sistema financeiro é global e uma nação não pode sozinha resolver seus problemas. E segundo, com a estatização de certas empresas, a aplicação das antigas receitas keynesianas nem sempre dá certo. Parte do problema foi gerada pelo próprio governo, e é um erro achar que aumentando ainda mais o governo essas questões serão resolvidas num passe de mágica.
Mas o comportamento de Obama enquanto líder político é exemplar, ao contrario de seu companheiro Lula, ele troca “eu” por nós. Ele não diz vou criar 10 milhões de empregos, ele diz, assim como o slogan de sua campanha o “Yes we can” , não é ele que irá salvar a “America” e sim os americanos (norte-americanos se quiserem).
Outro caso delicado é o do auxilio financeiro a grandes empresas a fim de que elas não quebrem. O correto seria se quebrassem afinal que coisa é essa de dar dinheiro dos impostos para empresas falidas?
A atitude do governo norte-americano pode parecer sem sentido, mas é justo, se de um lado você premia a incompetência por outro lado você evita que milhares de trabalhadores percam seus empregos.
Mesmo porque se tudo estivesse indo bem, o socorro a gigantes como a GM seria visto como bizarro.

Estamos em um período interessante da história, e me lembrarei de cada passo que será dado daqui em diante, a hegemonia dos EUA enfraqueceu, mas não foi superada ou destruída pela China como prevêem os tiozinhos babentos de muitos cursos de humanas, e o resultado final, embora o meu forte não seja muito a esperança pode ser o de um mundo um pouquinho mais justo.

PS:Eu disse "pode" porque reluto em acreditar que as coisas vão melhorar.Sorte do Mundo que eu não sou terapeuta.

terça-feira, 3 de março de 2009

A civilizaçao dos homem buraco

...ou a Bauru do Séc XXI

Buracos com água na superfície costumam guardam segredos. Foi assim que começou a epopéia de uma cidade localizada no centro do estado de São Paulo, Bauru outrora conhecida pelo comércio e pelas estradas de ferro, é hoje reconhecida pelos seus renomados buracos em asfalto, ou nas encostas degradadas de seus rios. Frutos da mistura de um péssimo solo com péssima governança. Os buracos de Bauru lhe renderam mistérios e inquietações no princípio dos anos 90, mas hoje são sinônimos de orgulho para a cidade. Viajantes desocupados de vários países desembarcam no aeroporto todos os dias.


Com o passar dos anos, o aumento do tamanho dos buracos, e a piora da economia local forçaram parte da população a ir morar nos buracos. Em Bauru, essas pessoas ficaram conhecidas como os homens buraco morando nos buracos do asfalto, esse novo grupo reconhecido por seu notório mau cheiro, e que somente com o tempo e a esperança em uma nova vida foram reconhecidos pela sociedade. E hoje podem manifestar-se livremente em seus rituais não católicos. Há também os poetas da lama, que tecem comentários escandalosos sobre a vida das pessoas cá em cima.
São brasileiros que não desfrutam do direito de existir.
Uma vez um jornal local os entrevistou. E ao entrar num dos buracos, com TV e tudo mais. A repórter estúpida perguntava: “Como é a vida de vocês?”. Bem... (er) nós vivemos em buracos respondeu o velho sem dentes. Sua esposa emendou: ”As coisas não são muito boas quando chove, mas o bom é que não pagamos impostos!
Muitas empresas estudam mudar-se para o subterrâneo.

Assim, a Bauru do Séc. XXI está preparada para o inverno nuclear, sua população oprimida pelos índices crescentes da pobreza começa a recuar cada vez mais para o fundo do buraco. Onde espera-se que ressurjam como baratas num futuro próximo.
 

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

.......

Em uma época de descobertas pessoais, acabei por encontrar algo que em meu âmago não gostaria sentir, que é a falta de esperança e o fim da fé na humanidade. ”Você é muito jovem”- Diriam. E estão corretos, é triste não ter esperança. A época de otimismo passou, não tenho mais ideais. Tudo o que tenho é o desespero, mas me acostumei a ele.
Longe de qualquer ideal, isso é triste diriam os mais esperançosos. Mas tornam as coisas mais reais.Não compartilho com todo de Buda, mas assim como ele começo a acreditar que a esperança é o mal da humanidade. Como podem surgir idiotas esperançosos, quantos crimes já não foram cometidos em nome das esperanças pessoais?
Mas isso não me importa e os estudiosos que se entendam. Não sou um e não quero ser. Alias é este o meu carma, o que afinal quero eu da vida?
Para se ter idéia dos recentes acontecimentos em minha vida acadêmica, um desastre, diga-se de passagem. A falta de vontade e as dificuldades em concentrar-me perturbaram-me durante toda uma vida, mas eu passava pelas etapas tranquilamente, mesmo sem estudar, aliás, fato de ter entrado na universidade é prova do nível em que se encontra o ensino no Brasil. Estava tudo bem, mas a faculdade é coisa mais séria (não tanto) e acontece que acabo por descobrir que a época de fantasia acabou. Em muitas matérias peguei dependência. Matérias que odeio, mas que agora serei obrigado a fazer novamente.
Isso me fez repensar a vida e me perguntar se realmente gosto de Geografia?
Descobri que odeio os geógrafos, e no geral eu os acho uns idiotas pretensiosos. Acho que no fundo nunca gostei da geografia. Pensei em trocar de curso, talvez até fazer cursinho novamente. Mas não, agora estou mais centrado e estudioso, vou fazer somente a licenciatura e tentar entrar no mestrado em outra área. Não quero dar aulas, não me iludo pelo romantismo da vida de professor, muitos gostam, mas eu não tenho paciência alguma e acredito que hajam outras opções que possa seguir. Poderia trancar o curso ou ate largar, pois afinal descobri que eu o odeio. Mas vou terminar. Não porque gosto, ou por orgulho, mas sim por raiva.
Raiva de professores corporativistas, raiva das panelinhas, raiva da crença na superioridade da Geografia. Mas principalmente por raiva da minha pessoa. Este ser desprezível que não conseguiu notas em aulas patéticas. Não merece o perdão de tentar recomeçar. Parece que os remédios me acordaram de uma sonolência de responsabilidade. Como dói ser responsável, como é ruim cair na real.
Quer saber, a minha autocrítica me basta e não me importarei mais com que os outros pensam. A época de tentar me provar útil a algo acabou, não sou útil a geografia e não sou útil a meus pais, e muito menos a sociedade. Talvez um dia seja, mas antes preciso mostrar-me útil a minha própria consciência. Ó como é exigente e chata essa consciência, como me irrita saber de meus defeitos, como me irrita apontar-me os erros o tempo todo.
A objetividade, o bom senso e a autocrítica estão tornando minha vida um inferno. Mas como disse, estou me acostumando ao desespero, não externalizo meus problemas. Aliás, essa pratica sempre esteve fadada ao fracasso, era como um remédio que adiasse a cura de uma doença, uma medida paliativa. Existem pessoas que são como fortalezas, e eu deverei ser como elas, não devo desmoronar por qualquer coisa.
É triste tomar consciência das coisas do mundo. Feliz era a época em que não tinha preocupações, mas quer saber de uma coisa: Aquela época era um marasmo!

quinta-feira, 15 de janeiro de 2009

A moral do empresário e a moral do trabalhador.

.... E um breve ensaio sobre a importância de cada um.....

Nos é termo subjetivo a condição de moralidade humana, possuímos falhas em nossos critérios e dualidade em nossas interpretações do que é justo ou injusto, do que é moral e do que é imoral.Depreciamos defeitos, ligamos personagens errados à situações opostas.Padecemos do inerente mal do “mau julgamento”.Muitos debates contemporâneos são tão marcados quanto territórios em guerra, as diferentes vertentes da ciência , e as diferentes ideologias nas quais muitas delas se alicerçam sobrepõem diversas visões acerca das relações humanas.E um dos cernes, atualmente mais mal interpretados é a diferença moral entre (falando em termos classistas) Empresários e trabalhadores, ou se preferirem o esboço grotesco: de capitalistas e proletários.

A resposta é simples, porém muitas vezes difícil de absolver: Ela não existe! Mas as paixões humanas e os devaneios de certos “intelectuais” trancam as respostas mais simples em arcabouços revestidos muitas vezes de teorias relativistas. Sendo assim, o que temos visto é a verticalização tanto das idéias quanto dos personagens, e digamos de certo fatalismo de quem possui concepções filosóficas mal-formuladas. Mas voltando a questão principal, devemos nos indagar o que é a moral.
Segundo o Dicionário, moral é:
MORAL, s.f. (ciência dos costumes) (...) 2. as idéias morais são comumente mais compostas do que a das figuras empregadas nas matemáticas. Donde segue-se que os nomes das idéias morais possuem uma significação mais incerta; e mais, que o espírito não pode reter com facilidade as combinações precisas, para examinar os vínculos e as inadequações entre as coisas. 3. o interesse humano, paixão tão enganosa, opõe-se à demonstração das verdades morais; pois é provável que, se os homens desejassem aplicar-se à pesquisa de tais verdades segundo o mesmo método e com a mesma indiferença com as quais buscam as verdades matemáticas, eles as encontrariam com a mesma facilidade.(...)

O ser humano participa de seu desenvolvimento, e sua moral pode ser formada a partir de suas individualidades sob influência do meio, mas acredito-me, ingenuidade a visão determinista de que o meio é que forma o caráter e a moral. O problema é que muitos marxistas acreditam que o capitalismo é o mal da humanidade, assim como muitos liberais “vulgares” são tão maniqueístas quanto os primeiros ao ascenderem ao contra-senso de serem, por exemplo, contrários a formação de sindicatos.
Nos regimes democráticos modernos, muito defendidos por esta vertente como sendo o mais próximo aos seus próprios ideais de liberdade, porque proibir a livre associação? Surge aí um primeiro erro de julgamento, o trabalhador não necessariamente ascende ou é conivente com erros, ou falcatruas de seus representantes. Se os sindicatos não funcionam, é uma coisa, mas questionar seu direito de existir é um ultraje a própria liberdade de associação. Dá-se aos trabalhadores assim como aos empresários o direito de se associarem, uma união que vise a participação política, ou a negociação entre um grupo e outro. A vida em sociedade é feita de interesses, quer alguém tenha que ceder ou não.
Vemos, porém uma clara aversão da sociedade, principalmente a subdesenvolvida quanto a concepção de empreendedores (entenda como empresários). Quantas vezes vimos ser questionadas o direito de existência de certas marcas como a Microsoft ou a Bayer. Homens que guiaram estas empresas, visando o lucro e a fama pessoal é claro, porem vislumbraram avanços tecnológicos importantes a sociedade. Será que se não houvesse pessoas cuja visão pudesse criar novas coisas, onde será que estaríamos?
O que se questiona principalmente através do prisma de classes, e da famigerada “mais-valia” é que o empresário suga o trabalhador, e dele extrai seus lucros, e no caso do empreendedor? Será que ele não deve inovar, será que ele não pode almejar suas próprias qualidades de bom administrador. Muitos buscam alento em refúgios ideológicos. O patrão é o inimigo, mas esquecem-se da necessidade um administrador, que defina salários e funções, e o mais importante de tudo, que pague o seu funcionário.Sem essa função de empreendedor, não haveriam remédios e nem farmácias aonde se pudessem comprar remédios .Assim como sem o trabalhador (vulgarmente generalizado é claro) , não há, sob a estética keynesiana digo eu quem compre a carne do abatedouro, ou quem use o remédio da farmácia.Sem estas ditas “classes sociais” rumaríamos todos de volta as cavernas.
Este homem emprega seus funcionários, e estes apenas transformam remuneração em comida? É assim que muitos intelectuais pensam, e por isso consideram imoral o empresário se apropriar do ganho alheio, o que é no mínimo curioso, pois quem teve a visão de mercado, a capacidade administrativa ou simplesmente o talento para os negócios foi o “patrão”. Ele não se apodera do ganho alheio, ele gera ganho alheio, assim como merece seus próprios ganhos. Sobre os empreendedores lembro Keynes em seu livro “Inflação e Deflação”, na passagem em que considera a mudança de humor para com a classe empresarial:
“O empresário, propulsor da sociedade e construtor do futuro, a cujas atividades e recompensas se atribuirá não há muito tempo uma sanção quase religiosa, ele (...) considerado respeitado e necessário(...) passou a receber olhares oblíquos, sentir-se suspeito e atacado, vitima de leis injustas e injuriosas, para tornar-se e assim o reconhecer meio culpado,um imoral, um aproveitador.(...)”
(adaptado)


O que temos de ter em mente quando surgem debates deste tipo é o de uma análise mais sensata possível, na qual segundo a ordem das coisas o mal da humanidade não são as superestruturas econômicas, ou as classes que a compõem, e sim os defeitos humanos, impossíveis de serem resolvidos, porem passíveis de serem amenizados.